O Brasil é maior que a sua classe política

31 de março de 2018 às 10:54

Tenente Dirceu Cardoso Gon&cce
A longa carreira pol&iacute;tica de Michel Temer bate, neste momento, em grav&iacute;ssimos obst&aacute;culos. J&aacute; alvejado pelas duas den&uacute;ncias do ex-procurador Rodrigo Janot, que barrou na C&acirc;mara mas ter&aacute; de responder quando sair do governo, o presidente corre o risco de uma terceira acusa&ccedil;&atilde;o formal da Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica. Pior que isso, segue cercado de ministros investigados, aliados pol&iacute;ticos e ex-auxiliares presos e agora v&ecirc; tamb&eacute;m o encarceramento de velhos amigos acusados de com ele praticarem crimes. Tudo isso num momento em que, apesar da baixa popularidade, ensaia lan&ccedil;ar-se candidato &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o. Isso sem falar que uma terceira den&uacute;ncia poder&aacute; afast&aacute;-lo antecipadamente.&nbsp; <br /> <br /> Os &uacute;ltimos acontecimentos v&atilde;o muito al&eacute;m do simples comprometimento ou do lan&ccedil;amento do presidente ao ostracismo. Constituem o catalisador que retira do governo a capacidade de recuperar o pa&iacute;s da derrocada petista. Pode, inclusive, repercutir diretamente nas elei&ccedil;&otilde;es e at&eacute; oferecer vantagem a algum salvador da p&aacute;tria que consiga falar o que o povo quer ouvir nesse momento de desencanto com a classe pol&iacute;tica e com a autoridade constitu&iacute;da. Com as diferen&ccedil;as de contexto, &eacute;poca e personagens, respira-se hoje o mesmo ar das crises que se abateram na vida nacional em 1954, 64, 68, 92 e em outros momentos que as estruturas se romperam ou tiveram perto disso. O que vai se suceder &eacute; dif&iacute;cil imaginar.<br /> <br /> O ritmo dos acontecimentos demonstra que precisamos de ampla redefini&ccedil;&atilde;o da vida pol&iacute;tico-institucional. O grande fantasma que hoje se coloca sobre as cabe&ccedil;as dos pol&iacute;ticos &eacute; o da forma e do custeio das campanhas eleitorais. Isso foi a chave que abriu as portas dos cofres estatais no mensal&atilde;o, petrol&atilde;o e outros esc&acirc;ndalos de promiscuidade entre pol&iacute;ticos, empresas e a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. E, depois de aberta a torneira, o dinheiro sujo tamb&eacute;m serviu para enriquecimento il&iacute;cito e outros crimes em apura&ccedil;&atilde;o. O meio pol&iacute;tico e sua forma de sustenta&ccedil;&atilde;o apodreceram. Precisam de ampla reforma que lhe d&ecirc; sustentabilidade e onde a transpar&ecirc;ncia n&atilde;o revele a pr&aacute;tica de crimes e nem coloque os participantes na mira da pol&iacute;cia.<br /> <br /> Infelizmente, chegamos a mais um ponto de ruptura. O decantado mais longo per&iacute;odo da vida democr&aacute;tica brasileira padece de falta de sustenta&ccedil;&atilde;o. Essa deve ser a maior preocupa&ccedil;&atilde;o de todos n&oacute;s, brasileiros. J&aacute; que a classe pol&iacute;tica se encontra combalida, chegou o momento de as for&ccedil;as vivas da sociedade se mobilizarem pelas mudan&ccedil;as que nos garantam a volta &agrave; normalidade. <br /> <br /> Felizmente, o mal n&atilde;o chega a inviabilizar a economia que, apesar de tudo, se recupera. Est&aacute; provado que o Brasil &eacute; maior do que sua classe pol&iacute;tica. Al&eacute;m de atuar institucionalmente para recuperar a honra e o prest&iacute;gio de partidos, governantes e legisladores, a sociedade civil tem um grande papel nesse momento. Est&aacute; na hora de investidores, empres&aacute;rios, trabalhadores e entidades continuarem emprestando seu prest&iacute;gio e trabalho para recolocar o pa&iacute;s no rumo certo. Quem cometeu irregularidades tem de prestar contas &agrave; Justi&ccedil;a, mas isso n&atilde;o pode e nem deve desestimular ou atrapalhar os que sempre trabalharam honestamente e, com sua for&ccedil;a, nos trouxeram &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de uma das principais economias do mundo.&nbsp; <br /> <br /> <b><i><img src="http://www.novoeste.com/uploads/image/img_artigos_tenentedirceu.jpg" width="60" hspace="3" height="81" align="left" alt="" /><br /> <br /> Tenente Dirceu Cardoso Gon&ccedil;alves</i></b> - dirigente da ASPOMIL (Associa&ccedil;&atilde;o de Assist. Social dos Policiais Militares de S&atilde;o Paulo) - aspomilpm@terra.com.br&nbsp;&nbsp;&nbsp; <br />