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Sem Copa, mas com esperança e desafios pela frente

06 de julho de 2026 às 17:04

O imaginário túnel do tempo que levou a mim e, certamente, muitos torcedores de minha geração ao longínquo ano de 1958, quando a nossa Seleção conquistou o primeiro título mundial e fez o Brasil inteiro vibrar, foi interrompido no último domingo, diante da Noruega. A eliminação entristece, é verdade, especialmente para uma torcida acostumada a carregar no peito o orgulho de cinco conquistas mundiais. Ainda assim, o futebol sempre nos ensinou que derrotas também fazem parte da caminhada.
 
Depois dos títulos de 1958 e 1962, o Brasil viveu frustrações, mas voltou a sorrir em 1970, quando trouxe para casa o tricampeonato. Mais tarde, em 2002, conquistamos a quinta estrela. Desde então, já se passaram 24 anos, e a tão sonhada sexta taça ainda não veio. A lembrança amarga do 7 a 1, em 2014, também permanece, mas não deve nos definir. O Brasil é maior do que suas derrotas.
 
O resultado de 5 de julho, frente à Noruega, na Copa dos Estados Unidos, não deve ser tratado como uma tragédia nacional. Foi apenas mais um capítulo difícil de uma história que ainda está sendo escrita. O futebol mudou muito nas últimas décadas. Tornou-se mais competitivo, globalizado e marcado por grandes investimentos na Europa, no Oriente Médio e em outras regiões, que atraem atletas de todo o mundo, inclusive brasileiros.
 
Para nós, a Copa de 2026 já ficou para trás. Agora, é hora de olhar para frente, dentro e fora de campo. O Brasil tem desafios importantes a enfrentar: eleições, polarização política, segurança pública, desenvolvimento econômico e a necessidade urgente de diálogo entre instituições, lideranças e sociedade.
 
Mais do que nunca, precisamos substituir agressões por propostas, rivalidades destrutivas por debate democrático e desânimo por responsabilidade coletiva. O país precisa de união, serenidade e compromisso com soluções reais para os problemas sociais e econômicos que afetam a população.
 
Também é fundamental que o Brasil mantenha relações diplomáticas equilibradas com outras nações, especialmente com os Estados Unidos, parceiro histórico em diversas áreas. Divergências políticas ou ideológicas entre governos não podem se transformar em conflitos entre povos. A diplomacia deve prevalecer sempre.
 
O Brasil já superou crises, derrotas, instabilidades e momentos de profunda incerteza. E, justamente por isso, não deve perder a confiança em sua capacidade de reconstrução. Temos um povo trabalhador, criativo e resistente. Temos instituições que precisam ser fortalecidas. Temos problemas sérios, mas também temos condições de enfrentá-los com maturidade.
 
Que a eliminação na Copa sirva não apenas como tristeza passageira, mas como convite à reflexão. O país que deseja voltar a vencer no futebol também precisa vencer na educação, na segurança, na economia, na política e na convivência democrática.
 
Que em 2030 possamos chegar novamente à Copa do Mundo mais preparados, dentro e fora dos gramados, com a esperança renovada e a certeza de que o Brasil, quando se une, sempre encontra forças para seguir em frente. Pra frente, Brasil.
 

Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)