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Entenda o programa Nova Indústria Brasil

23 de janeiro de 2024 às 12:18

economia/produção industrial
Com o objetivo de impulsionar a indústria nacional até 2033, o programa Nova Indústria Brasil, lançado ontem, segunda-feira (22) pelo governo, usa instrumentos tradicionais de políticas públicas, como subsídios, empréstimos com juros reduzidos e ampliação de investimentos federais. O programa também usa incentivos tributários e fundos especiais para estimular alguns setores da economia.
 

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Plano pretende impulsionar indústria
nacional até 2033
 
A nova política tem seis missões relacionadas à ampliação da autonomia, à transição ecológica e à modernização do parque industrial brasileiro. Entre os setores que receberão atenção, estão a agroindústria, a saúde, a infraestrutura urbana, a tecnologia da informação, a bioeconomia e a defesa.
 
A maior parte dos recursos, R$ 300 bilhões, virá de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). Os financiamentos do BNDES relacionados à inovação e digitalização serão corrigidos pela Taxa Referencial (TR), que é mais baixa que a Taxa de Longo Prazo (TLP).
 
O mecanismo de compras governamentais provoca certa polêmica, por representar um entrave nas negociações para a adoção do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Os empresários europeus defendem condições de igualdade com as empresas brasileiras nas licitações para a compra de bens, a realização de obras e a contratação de serviços pelo governo brasileiro.
 
Principais medidas anunciadas hoje
 
Nova Indústria Brasil
 
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Missões para o período de 2024 a 2033:
 
01. Cadeias agroindustriais sustentáveis e digitais
 
     – aumentar para 50% participação da agroindústria no PIB agropecuário;
 
     – alcançar 70% de mecanização na agricultura familiar;
 
     – fornecer pelo menos 95% de máquinas e equipamentos nacionais para agricultura familiar.
 
02. Forte complexo econômico e industrial da saúde:
 
     – atingir 70% das necessidades nacionais na produção de medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos, materiais e outros insumos e tecnologias em saúde.
 
03. Infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis:
 
     – diminuir em 20% o tempo de deslocamento de casa para trabalho;
 
     – aumentar em 25 pontos percentuais adensamento produtivo (diminuição da dependência de produtos importados) na cadeia de transporte público sustentável.
 
04. Transformação digital da indústria:
 
     – digitalizar 90% das indústrias brasileiras;
 
     – triplicar participação da produção nacional no segmento de novas tecnologias.
 
05. Bioeconomia, descarbonização, e transição e segurança energéticas:
 
     – cortar em 30% emissão de gás carbônico por valor adicionado do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria;
 
     – elevar em 50% participação dos biocombustíveis na matriz energética de transportes;
 
     – aumentar uso tecnológico e sustentável da biodiversidade pela indústria em 1% ao ano.
 
06. Tecnologias de interesse para a soberania e a defesa nacionais:
 
     – autonomia de 50% da produção de tecnologias críticas para a defesa.
 
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Recursos para financiamentos:
 
R$ 300 bi até 2026
 
     – Crédito: R$ 271 bi
 
     – Não reembolsáveis: R$ 21 bi
 
     – Equity (investimentos na bolsa de valores): R$ 8 bi
 
Fonte dos recursos: BNDES, Finep e Embrapii
 
Desse total, R$ 77,5 bi (28%) aprovados em 2023
 
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Eixos:
 
Indústria Mais Produtiva (R$ 182 bi)
 
     – Expansão da capacidade e modernização do parque industrial brasileiro;
 
     – Novo Brasil + Produtivo: financiamentos com Taxa TR (juros reduzidos) para digitalização e financiamentos não reembolsáveis para até 90 mil micro e pequenas empresas;
 
     – R$ 4 bi do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) com Taxa TR para expansão da banda larga e conectividade.
 
Indústria Mais Inovadora e Digital (R$ 66 bi)
 
     – Financiamentos do Programa Mais Inovação: Taxa TR para apoio à inovação e digitalização pelo BNDES e pela Finep;
 
     – Financiamentos não reembolsáveis definidos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI);
 
     – Criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT);
 
     – Ampliação do uso de instrumentos de Mercado de Capitais (recursos levantados no mercado financeiro) para as seis missões industriais.
 
Indústria Mais Exportadora (R$ 40 bi)
 
     – Criação do BNDES Exim Bank: versão do BNDES voltada para apoio à exportação;
 
     – Linhas de financiamento do BNDES para pré e pós-embarque de bens e aeronaves;
 
     – Redução do spread (diferença entre os juros cobrados do tomador e as taxas de captação dos bancos) nas linhas de preembarque.
 
Indústria Mais Verde (R$ 12 bi)
 
     – Novo Fundo Clima: projetos de descarbonização da indústria com juros a partir de 6,15% a.a;
 
     – Instrumentos de Mercado de Capitais voltados para transição energética, descarbonização e bioeconomia;
 
     – Fundo de Minerais Críticos: fundo para alavancar recursos para a pesquisa e a extração de minerais usados em baterias de energia limpa.
 
Outras medidas
 
     – R$ 20 bi para a compra de máquinas nacionais para a agricultura familiar;
 
     – R$ 19,3 bi do Programa Mover, para estimular tecnologias menos poluentes na indústria automotiva e desenvolver novas formas de mobilidade e logística
 
     – R$ 3,4 bi do Programa de Depreciação Acelerada para a modernização de máquinas e equipamentos;
 
     – R$ 2,1 bi em isenção tributária para estimular produção de semicondutores e painéis fotovoltaicos;
 
     – R$ 1,5 bi em incentivos tributários à indústria química;
 
     – Antecipação do calendário de aumento de mistura do biodiesel ao diesel: 12% em abril de 2023, 14% em março de 2024 e 15% a partir de 2025;
 
     – Reservas para compras governamentais: indústrias nacionais terão vantagem em licitações;
 
     – Exigência de conteúdo nacional: percentuais mínimos de compra de produtos nacionais em obras do PAC, definidos por uma comissão do governo.
 
Instrumentos
 
     01. empréstimos;
 
     02. subvenções;
 
     03. investimento público;
 
     04. créditos tributários;
 
     05. comércio exterior;
 
     06. transferência de tecnologia;
 
     07. propriedade intelectual;
 
     08. infraestrutura da qualidade;
 
     09. participação acionária;
 
     10. regulação;
 
     11. encomendas tecnológicas;
 
     12. compras governamentais;
 
     13. requisitos de conteúdo local;
 
     Fonte: BNDES e MDIC
 

Arte/EBC
 
Da Agência Brasil