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“Fogo no parquinho”: Operação Tempus Veritatis enquadra bolsonarismo

12 de fevereiro de 2024 às 18:07

pauta livre
A operação tempus veritatis (o tempo da verdade) deflagrada nesta quinta-feira, 08 de fevereiro de 2024 pela polícia federal enquadrou quase todo STAF do bolsonarismo por suspeita de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito. Policiais federais estão cumprindo quatro mandados de prisão preventiva e 33 mandados de busca e apreensão em 9 estados e no Distrito Federal. O parquinho bolsonarista está pegando fogo. 
 

Reprodução/gov.br/pf/
 
As apurações apontam que o grupo investigado se organizava em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022 e desacreditar a vitória de Luís Inácio Lula da Silva. O primeiro núcleo visava propagar versão de fraude nas Eleições de 2022 e vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, o segundo núcleo atuava na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível. Tudo era feito através das chamadas milícias digitais informa a Coordenação-Geral de Comunicação Social da polícia federal.
 
Entre os alvos dessa operação, temos o ex-ministro da Defesa e da Casa Civil Braga Netto, o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional Augusto Heleno e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Foram presos na operação, Filipe Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro; Marcelo Câmara, coronel do Exército, Rafael Martins, major das Forças Especiais do Exército. O coronel do Exército Bernardo Romão Corrêa Netto, não foi preso, pois está fora do país. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, também, alvo da operação foi preso em flagrante por posse irregular de arma. O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que Bolsonaro entregue o passaporte em até 24 horas. 
 
Pelas informações que estão chegando de todos os órgãos de imprensa, temos o maior escândalo político da história em tempos democráticos. O governo anterior do presidente Bolsonaro tramava um golpe de Estado e pretendia reabilitar a ditadura no país. Isso é gravíssimo, mas tem precedentes no final da ditadura civil-militar de 1964-85, quando a Lei da Anistia de 1979, assinada pelo presidente João Baptista Figueiredo, perdoou todos aqueles que haviam cometido crimes políticos no período, eximindo os ditadores e apoiadores da ditadura de suas responsabilidades como as torturas, mortes e desaparecimentos de pessoas contrárias ao regime. A não punição dessa gente produziu um conjunto de golpistas que após quase 60 anos do início ditadura, tentaram voltar ao poder. 
 
Não podemos tratar esse assunto como um simples caso de polícia, pois essas pessoas tramaram um golpe de Estado e são traidores da pátria, inimigos do Brasil, antidemocratas, desestabilizadores da república. Não podemos dessa vez, deixar de punir aqueles que sempre contribuíram para a destruição do nosso país. 
 
O tempus veritatis, tempo da verdade como está sendo chamada essa operação, precisa colher todas as informações necessárias e juntá-las com as provas (mensagens e documentos) já recolhidos que comprometem bastante essa turma que tentava reabilitar o autoritarismo no Brasil. Golpistas não passarão! 
 
Por Ivandilson Miranda Silva, doutor em Educação e Contemporaneidade pela UNEB e Mestre em Cultura e Sociedade pela UFBA. Professor. E-mail: ivanvisk@gmail.com