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Alimentação baseada em vegetais pode evitar doença renal crônica

01 de July de 2026 às 16:48

saúde/agência einstein
Adotar uma alimentação rica em hortaliças, frutas, grãos integrais e leguminosas pode contribuir para proteger os rins e reduzir o risco de doença renal crônica (DRC), segundo estudo publicado em janeiro no periódico científico Canadian Medical Association Journal.
 

© Reprodução/Agência Einstein
 
Estudo com quase 180 mil pessoas
associa a chamada Dieta Planetária a menor
risco de lesão nos rins e reforça o impacto
do estilo de vida na saúde
 
Ao avaliar dados de 179.508 participantes acompanhados por 12 anos por meio do UK Biobank — pesquisa britânica que monitora as condições de saúde de cerca de meio milhão de pessoas —, pesquisadores da Universidade Médica do Sul, na China, observaram uma associação entre a dieta EAT-Lancet, conhecida como “dieta para a saúde planetária”, e menor risco de doença renal crônica (DRC). Participantes com maior adesão a esse padrão alimentar apresentaram menor probabilidade de desenvolver a DRC, marcada pela presença de lesões nos rins com impactos na taxa de filtração, contribuindo para uma perda progressiva da função renal.
 
Analisando marcadores no sangue, observou-se que 20% do efeito protetor vindo da dieta planetária parece estar ligado a mudanças no metabolismo que reduzem a inflamação”, comenta a nefrologista Patrícia Goldenstein, do Einstein Hospital Israelita. Segundo os autores do trabalho, esse modelo alimentar, que estimula o consumo de vegetais, também ajudaria a combater o estresse oxidativo. Assim, tanto a ação anti-inflamatória quanto a atuação antioxidante beneficiariam os rins.
 
Estima-se que entre 7% e 10% dos adultos brasileiros convivem com algum grau de comprometimento renal, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia. “E o mais preocupante é que grande parte dessas pessoas nem sabe que tem”, relata Goldenstein. Isso porque o problema costuma avançar de forma silenciosa. O crescimento progressivo de casos acompanha mudanças no perfil da população, entre eles, o aumento de doenças como diabetes, hipertensão e obesidade, que são fatores de risco para a lesão renal. Portanto, manter um estilo de vida saudável ajuda a prevenir a doença, e alimentação equilibrada é um dos principais pilares.
 
Considerada modelo de sustentabilidade, a Dieta Planetária foi criada a partir de um relatório, em 2019, por uma comissão com 37 estudiosos de 16 países, chamada EAT-Lancet. “Recomenda-se priorizar vegetais e diminuir o consumo de itens de origem animal, sobretudo a carne vermelha, pelo impacto ambiental”, explica a nutricionista Bruna Aparecida Farias, também do Einstein.
 
Além de indicar o consumo equilibrado de frutas, legumes, verduras, grãos integrais, feijões e castanhas, estimula modelos sustentáveis para a produção de alimentos e valoriza a biodiversidade. Também chama atenção para a redução do açúcar de adição, além de questões como a utilização de água e a emissão de gases de efeito estufa.
 
Para adequar ao gosto brasileiro, vale apostar em um cardápio recheado com espécies nativas, sobretudo as frutas tropicais, que esbanjam vitaminas, sais minerais e compostos bioativos de ação antioxidante e anti-inflamatória. “Destaque ainda para o feijão, que faz parte da nossa cultura alimentar”, observa Farias. Por outro lado, a nutricionista alerta para uma das nossas preferências, o churrasco, que deve ser apreciado em ocasiões especiais, não corriqueiramente. “Lembrando que o modelo da Dieta Planetária não é radical, nem de exclusão. Ele prega o equilíbrio”, frisa.
 
Cuidado com excessos
 
Ao reduzir o consumo de carne vermelha, a tendência é diminuir os teores de gordura saturada, de toxinas urêmicas (resíduos metabólicos), de fósforo e ainda a carga ácida. Há evidências de que extrapolar nessas substâncias favoreça males renais.
 
Aliás, o exagero proteico também está por trás de problemas. “A proteína não é vilã, mas seu excesso pode aumentar a pressão nos glomérulos”, adverte a nefrologista. Ela se refere às estruturas microscópicas dos rins que são responsáveis pela filtragem. Segundo Goldenstein, se esse processo se repetir por muitos anos, pode acelerar a perda de função, principalmente em quem já tem risco. “Vale ressaltar que toda dieta deve ser individualizada, baseada nos exames do paciente, e é fundamental dosar níveis de potássio, fósforo e sódio, por exemplo”, recomenda.
 
Exceder no sal e no açúcar propicia males como a hipertensão arterial e a resistência à insulina, que também prejudicam o órgão. Inclusive, sal além da conta pode levar à formação de “pedras” nos rins. “O excesso de sódio aumenta a excreção de cálcio pela urina, contribuindo para um risco maior do cálculo”, explica a médica.
 
Os cálculos renais têm tudo a ver com o estilo de vida. “O principal fator é a pouca ingestão de água”, conta Patrícia Goldenstein. Quando há baixa hidratação, a urina fica mais concentrada, facilitando o aparecimento de cristais que, com o tempo, podem se tornar pedras. Por isso, capriche — mas com água mesmo, não valem bebidas açucaradas ou alcoólicas.
 
Por Regina Célia Pereira, da Agência Einstein