 Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
A gente chega a um estágio da vida em que tudo é aprendizagem. Não se maltrate...
Tenho observado que muita gente já não tem paciência com o outro. Parece que a simples presença do outro incomoda. O mais triste é perceber que esse desamor, por vezes, se estabelece até mesmo nas entranhas da própria família. Daí, a incompreensão floresce num deserto em que muitos já nem procuram água, porque o oásis da ternura parece ter partido, levando consigo as flores que já não perfumam mais a vida. Poucas pessoas ainda permanecem à beira desse oásis, acreditando que algo possa acontecer e trazer de volta a pequena floresta que acolhe a água cristalina que borbulha silenciosamente.
As pessoas que desprezam o outro parecem viver muito distantes da beleza da vida. São pessoas que não encontram tempo para ouvir o barulho do mar, sentir o acariciar das cachoeiras, contemplar a luz do luar derramando do céu infinita pureza ou admirar o piscar descompassado das estrelas.
Deixe ir o que não quer vir para você.
Não adianta se magoar porque o amor não foi correspondido; pela indiferença nos relacionamentos; pela frieza que, de tão intensa, congela corações que já não derretem mais; pelo olhar que simplesmente não enxerga o amor deslizando pela face, cheio de desejo; pelo abraço que antes acolhia corpos entrelaçados em suspiros e afagos; pelas palavras miúdas, quase mudas, que faziam compreender a beleza do prazer e que, por vezes, em silêncio, através de gestos suaves, quase adormecidos, tocavam a alma e faziam florescer um coração cheio de paixão.
Deixe ir...
Quem precisa permanecer encontrará o caminho de volta sem que lhe abram as portas à força. E quem escolheu partir já levou consigo apenas a própria presença, nunca a capacidade que a alma tem de recomeçar. A vida continua oferecendo novos encontros, novas paisagens e novos afetos àqueles que ainda acreditam na delicadeza de amar.
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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