 Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
Hoje, a saudade veio me visitar, fazendo-me recordar meus doze anos de idade. Com sua presença marcante, trouxe de volta à minha mente um passado distante, e as lágrimas começaram a jorrar sobre o meu rosto cansado.
Lembrei-me do meu primeiro amor e, sem pudor, a saudade fez também o meu coração chorar.
Foi como um clarão: o mundo se abriu, e a presença daquela menina-moça ganhou vida em meu pensar. Aquele corpinho franzino, vestido com um simples vestido de alças, ornamentava aquele ser tão lindo.
Seu rosto era redondo; os olhos, claros; o nariz, afilado; os lábios, carnudos e molhados. E tudo parecia ainda mais perfeito, porque a franja enfeitava parte de sua testa, dando-lhe um toque de beleza natural.
Nossos encontros presenciais foram poucos, mas, mesmo de longe, nossos sentimentos se cruzavam na escuridão e no tempo, fazendo reviver momentos de amor.
Nossos esconderijos protegiam aquele sentimento tão verdadeiro. Eram testemunhas de nossas entregas respeitosas. Sem partir para os finalmente, acariciávamo-nos suavemente, vestidos de pureza, e nossas almas transbordavam de desejos ingênuos.
Depois, voltávamos para casa sorrindo para as estrelas, que não paravam de brilhar em nossos corações, tão sinceros de amor.
Mas, um dia, a mudança do meu amor para outra cidade levou consigo a nossa inocência. Indefesos e sem outra alternativa, por ainda sermos estudantes, fomos obrigados a soltar nossas mãos.
Foi como uma flecha certeira atingindo nossos corações, e o nosso sonhar se perdeu no tempo.
A separação veio como uma cortina de tecido grosso e escuro, fechando-se entre nós e separando o nosso amor.
Mas a saudade, teimosa, nunca deixou que aquela cortina apagasse as lembranças guardadas em meu coração.
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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