 Celso Lacerda © Celso Lacerda/Arquivo pessoal |
Vejo o vitimismo como algo deprimente a que um ser humano se presta a utilizar como expediente no transitar da sua vida. Também não deixa de ser uma estratégia ensaiada, premeditada ou inconsciente, na qual alguém se faz de coitado para não aceitar a culpa, apontar de maneira sórdida o dedo para alguém, controlar o outro e ainda criar a situação de fazer com que sintam pena de si.
O vitimismo é terrível. Faz com que a pessoa fuja das suas responsabilidades. Parece que recebe uma entidade que sai do breu, na busca de algo que mate sua fome insaciável, servida sem prato. Essa pessoa jamais aceitará seus próprios erros e ainda verbalizará que o planeta inteiro está contra ela. Ainda existem aqueles que necessitam de alguém que tenha pena de sua pessoa, às vezes por estarem tão acostumados a ser vítimas que chegam a chorar, dramatizar, mutilar o próprio corpo e a própria mente ou, então, permanecer em silêncio, na perspectiva de fazer com que o outro ceda aos seus caprichos.
Impressionante! Há até quem tenha facilidade para criar, repetir e decorar várias vezes frases prontas, alimentando seu eu no sentido de afastar-se da culpa e ainda transformando a própria culpa em artifício para atingir e controlar os outros.
Infelizmente, quem se entrega ao vitimísmo bebe da água da fonte chamada trauma. Claro, o trauma é o que fortalece, o que instiga uma alma a vagar num mundo até mesmo invisível, que, por vezes, se materializa a ponto de ser criado para alimentar a fraqueza de quem aceita e consegue trazer para si seus próprios problemas não superados, martirizando o próprio pensar a ponto de, sem compaixão, ferir aquele que escolheu para o seu devaneio.
Também não se pode negar que essa condição de vitimísmo permite até criar uma espécie de imunidade para essa pessoa, fazendo parecer que tudo o que ela expressa é verdadeiro e que tudo o que é feito por ela é bondoso, benevolente, generoso...
Devemos ter cuidado com nossas emoções fragilizadas, pois podemos até criar uma história desagradável para ser contada para nós mesmos e que não deixa de ferir a própria alma.
É importante saber que nossas emoções não somos nós. Jamais deveremos ser vítimas das nossas próprias emoções, cheias de sentimentalismo.
Por Celso Lacerda, membro da ABL/Barreiras (BA)
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