O que é o instante, senão uma fração de segundos que separa o presente do futuro?
Um pequeno intervalo de tempo, quase imperceptível, capaz de mudar profundamente uma vida, uma existência, um destino.
A vida não é um instante, mas a presença material, sim.
Estar aqui agora não é garantia de permanência no próximo instante.
E, quando esse instante chega, tudo se transforma.
O corpo deixa de ser presença.
O espírito deixa de ser percebido aos olhos.
A vida, porém, não deixa de existir; apenas muda de dimensão.
Aqui, já não podemos vê-lo.
Lá, passa a ser notório aquilo que os nossos olhos já não alcançam.
E ficam as lembranças.
Fica o amor.
Fica uma saudade perene, dessas que não encontram palavras capazes de traduzi-la.
Fica uma dor inominável, porque há ausências que não cabem em explicações.
E, diante da consciência de que a vida é feita de instantes, percebemos o quanto desejamos ter tido mais um...
Mais um olhar.
Mais um abraço.
Mais uma palavra.
Mais um sorriso.
Mais um instante.
Talvez seja essa a grande lição da vida: compreender que o instante que temos nas mãos é, na verdade, tudo o que possuímos.
Por isso, enquanto houver presença, que haja amor.
Enquanto houver tempo, que haja encontro.
Enquanto houver voz, que haja palavras de afeto.
Porque amanhã pode ser tarde.
E talvez tudo o que desejemos, quando o instante já tiver passado, seja apenas aquilo que hoje ainda podemos oferecer:
mais um instante.
Por Ananda Lima, professora, escritora membra da ABL/Barreiras