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Filho de Fux tratou Vorcaro ‘irmão’ e falou em estender ‘tapete vermelho’ para ex-banqueiro

15 de setembro de 2026 às 12:25

justiça/supremo tribunal federal (STF)

Ministro Luiz Fux e seu filho Rodrigo Fux. Reprodução/Redes Sociais
Mensagens mostram advogado tratando de reunião com ex-banqueiro

Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, mostram uma relação de proximidade dele com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal).
 
Rodrigo também teria articulado a participação do pai em um evento ligado ao banqueiro em Londres.

As conversas mostram que, após uma série de contatos, o advogado pediu a Vorcaro que informações sobre um compromisso em Londres fossem enviadas à secretária do ministro no Supremo.

A reportagem tenta contato com o filho de Fux. O ministro também foi procurado por meio da assessoria do STF, mas não houve resposta até o momento.
 
A Polícia Federal entregou o conteúdo integral do celular de Vorcaro no dia de ontem, segunda-feira (14) aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Eles pediram o conteúdo sob a justificativa de que era necessário para a análise que ocorre nesta terça-feira sobre a relação de Moraes com o ex-banqueiro.
 
As mensagens
 
As mensagens revelam encontros presenciais e conversas entre o filho de Fux e Vorcaro. Em diferentes momentos da conversa, Rodrigo Fux trata Daniel Vorcaro como “irmão”.
 
Em 17 de maio de 2024, por exemplo, o advogado inicia uma conversa com “Fala irmão. Tudo bem?”; em novembro, ao avisar que estava disponível para uma chamada, escreve “Vamos irmão? Liberei”.
 
Em uma das mensagens em 4 de dezembro de 2024, quando os dois tentavam combinar um encontro no escritório do filho de Fux, no Rio de Janeiro, Vorcaro disse que só conseguiria ir ao local às 14h, e Rodrigo afirmou que remarcaria outro compromisso para recebê-lo. Após confirmar o horário, escreveu: “Tapete vermelho irmão”. Vorcaro respondeu: “Valeu irmao!
 
Um mês antes, em novembro de 2024, o ex-banqueiro procurou o advogado e afirmou: “Quero te chamar pra me ajudar num caso”. Rodrigo respondeu que seria um prazer ajudar e os dois marcaram uma videoconferência. Depois da conversa, Vorcaro enviou um documento, e Rodrigo afirmou que iria analisá-lo.
 
Em fevereiro de 2025, os dois voltaram a se encontrar em Brasília. Rodrigo estava no STJ e, ao deixar o tribunal, perguntou onde encontraria Vorcaro. Depois de uma ligação, afirmou que chegaria às 17h30. O banqueiro enviou então o endereço de uma casa no Lago Sul.
 
No dia 25 daquele mês, Rodrigo fez referência a outro compromisso. “Já está a par do encontro de hoje né?”, perguntou. Vorcaro respondeu: “Sim! Vc é fera”. “Será um grande dia”, afirmou o advogado. O trecho das mensagens, porém, não identifica os participantes desse encontro e, isoladamente, não permite afirmar que se tratava de uma reunião com Luiz Fux.
 
A conexão direta com o ministro aparece nas conversas de março. No dia 11, Rodrigo procurou Vorcaro para marcar uma reunião em Brasília. Disse que precisava “alinhar algumas questões” e afirmou que, antes, passaria pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. O encontro inicialmente seria realizado naquela noite, mas Vorcaro ainda estava em São Paulo à espera de um voo. Os dois decidiram então deixar a conversa para a manhã seguinte.
 
Rodrigo sugeriu 10h ou 10h30, e Vorcaro escolheu o segundo horário. “Fechado”, respondeu o advogado. Às 10h12 do dia 12 de março, Rodrigo escreveu: “Bom dia. 10:30hs tô aí”.
 
Poucas horas depois, às 13h29, Rodrigo voltou a procurar Vorcaro e perguntou: “Qual a data de Londres mesmo?”. Em seguida, pediu que o material fosse enviado ao seu próprio email e acrescentou: “E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim”. O endereço informado pelo advogado tinha domínio institucional do STF. Vorcaro respondeu: “Vou pedir!”.
 
Por Raquel Lopes, da Folhapress
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