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Prévia da inflação oficial de setembro fica em 0,70%, mostra IBGE

25 de setembro de 2026 às 12:56

economia/inflação/deflação
A prévia da inflação oficial de setembro ficou em 0,70%, a maior desde abril (0,89%). O resultado é uma inversão da deflação (inflação negativa) de agosto, que ficou em -0,40%.
 
A explicação principal da aceleração está na devolução do bônus de Itaipu, desconto que os consumidores tiveram na conta de luz do mês anterior.
 

Calculadora
© Marcello Casal Jr/Agência Brasil

IPCA-15 foi pressionado por devolução
do bônus de Itaipu
 
Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Com o resultado, o IPCA-15 soma 4,47% no acumulado de 12 meses. Em agosto, eram 4,24%. Em setembro de 2025, a prévia da inflação marcou 0,48%.
 
Em 2026, o IPCA-15 acumula 3,82%. Veja mês a mês o comportamento da prévia da inflação no ano:
 
       • janeiro: 0,20%;
       • fevereiro: 0,84%;
       • março: 0,44%;
       • abril: 0,89%;
       • maio: 0,62%;
       • junho: 0,41%;
       • julho: 0,06%;
       • agosto: -0,40%;
       • setembro: 0,70%.
 
Grupos
 
Para chegar ao resultado mensal, o IBGE apura o preço de nove grupos de produtos e serviços. Veja como se comportaram os grupamentos:
 
       • Habitação: 2,07% (impacto de 0,31 ponto percentual);
       • Despesas pessoais: 0,96% (0,10 p.p.);
       • Transportes: 0,60% (0,12 p.p.);
       • Artigos de residência: 0,55% (0,02 p.p.);
       • Comunicação: 0,54% (0,02 p.p.);
       • Vestuário: 0,41% (0,02 p.p.);
       • Alimentação e bebidas: 0,40% (0,09 p.p.);
       • Saúde e cuidados pessoais: 0,13% (0,02 p.p.);
       • Educação: 0,03% (0 p.p.).
 
Bônus de Itaipu
 
A alta no grupamento habitação, o que mais pressionou a prévia, é explicada pela energia elétrica residencial, que subiu 7,42% em setembro, representando o maior impacto individual do índice (0,29 p.p.).
 
Isso aconteceu porque em agosto, o conta de luz tinha caído 6,25%, beneficiada pelo Bônus Itaipu.
 
O bônus consiste na distribuição do saldo positivo da conta de comercialização de Itaipu, hidrelétrica estatal, que vira crédito nas contas de energia.
 
Em setembro, como não teve mais esse desconto, a conta de luz “normal” é comparada com a de agosto, mais baixa, fazendo com que a diferença de um mês para o outro seja maior. Esse efeito já era esperado pelo IBGE e por analistas.
 
Transporte e combustíveis
 
No grupo Transportes, o resultado foi influenciado pelas passagens aéreas, que subiram quase 10% (9,82%).
 
Os combustíveis ficaram 0,22% mais caros, com os seguintes comportamentos de preços:
 
       • gás veicular: 1,56%;
       • gasolina: 0,30%;
       • óleo diesel: -0,78%;
       • etanol: -0,22%.
 
Alimentos
 
No grupo alimentação e bebidas, o subgrupo da alimentação no domicílio subiu 0,38% em setembro. Em agosto havia sido registrada deflação de -0,97%.
 
As maiores altas na alimentação em casa foram:
 
       • tomate: 20,76%;
       • arroz: 2,39%;
       • carnes: 1,30%.
 
Se destacaram nas quedas:
 
       • feijão carioca: -6,33%;
       • cebola: -4,41%;
       • café moído: -1,36%.
 
Prévia da inflação
 
O IPCA-15 tem basicamente a mesma metodologia do IPCA, a chamada inflação oficial, que serve de base para a política de meta de inflação do governo: 3% no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos.
 
A diferença está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Na prévia, a pesquisa e feita e divulgada antes mesmo de acabar o mês de referência. Em relação à divulgação atual, o período de coleta foi de 15 de agosto a 15 de setembro.
 
Ambos os índices levam em consideração uma cesta de produtos e serviços para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Atualmente o valor do mínimo é R$ 1.621.
 
O IPCA-15 coleta preços de 367 produtos e serviços (10 a menos que o IPCA) em 11 localidades do país (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.); e o IPCA, 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju).
 
O IPCA cheio de setembro será divulgado em 9 de outubro.
 
O boletim Focus da última segunda-feira (21), sondagem do Banco Central (BC) com instituições do mercado financeiro, sinaliza que o mercado espera inflação de setembro em 0,52%.
 
Da Agência Brasil