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Sangramento nasal: quando é preciso procurar um médico?

26 de setembro de 2026 às 11:48

saúde/agência einstein
Sangrar pelo nariz é comum e, na maioria das vezes, não representa um problema grave. O quadro, chamado de epistaxe, costuma estar relacionado a situações como ressecamento da mucosa nasal, resfriados, rinite, sinusite ou pequenos traumas. Mas episódios frequentes, muito intensos ou que não cessam após alguns minutos exigem atenção e podem precisar de avaliação médica.


© Reprodução/Agência Einstein

Na maioria dos casos, o sangramento
acontece por fatores simples e não exige maiores cuidados; episódios frequentes
podem indicar problemas de saúde
e precisam de avaliação
 
As crianças entre 2 e 10 anos estão entre as mais propensas ao problema. Nessa faixa etária, a mucosa nasal é mais fina e sensível, além de ser comum o hábito de colocar o dedo no nariz, o que pode provocar pequenas lesões e romper vasos sanguíneos. Os idosos também apresentam maior risco, em parte pela maior fragilidade dos vasos e pelo uso frequente de medicamentos como anticoagulantes e anti-inflamatórios.
 
Outros fatores também podem favorecer a epistaxe, como clima frio e seco, assoar o nariz com força, traumas locais, uso prolongado de descongestionantes nasais em spray e alterações de pressão atmosférica, como as que ocorrem durante mergulhos ou em viagens para locais com altitude muito diferente.
 
O que fazer na hora?
 
Na maioria dos casos, o sangramento é isolado e para espontaneamente. Durante o episódio, a recomendação é sentar-se e inclinar levemente a cabeça para a frente. “O ideal é pedir para que a pessoa se sente e incline levemente a cabeça para frente, ao invés de para trás, como a maioria acredita, pois a cabeça elevada não controla o sangramento e ainda faz com que o líquido escorra para a garganta e o indivíduo acabe engolindo o sangue”, explica o médico Luciano Gregório, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF).
 
Em seguida, deve-se comprimir a parte mole do nariz com os dedos, como uma pinça, por cerca de 3 a 5 minutos. “Colocar pedaços de algodão nas narinas também é uma boa ideia. Ainda é indicado utilizar uma substância constritora nasal com o algodão, deixando o tratamento mais eficaz, fazer uma compressa fria sobre o nariz, e evitar assoá-lo com força nas horas seguintes”, recomenda o otorrinolaringologista Pedro Wey, do Einstein Hospital Israelita.
 
Manter a mucosa nasal e o ambiente adequadamente umidificados também pode ajudar a prevenir novos episódios, especialmente em períodos de clima seco.
 
Quando procurar um médico?
 
Se o sangramento não parar após 15 a 30 minutos de compressão, é indicado procurar atendimento médico. A avaliação também é importante quando os episódios são recorrentes ou muito intensos ou quando aparecem acompanhados de outros sinais, como manchas roxas pelo corpo, sangramentos em outras regiões, obstrução nasal ou histórico familiar de distúrbios de coagulação.
 
Na consulta, o otorrinolaringologista pode investigar a origem do sangramento e identificar se ele é anterior ou posterior. A epistaxe anterior ocorre na parte da frente do nariz, onde há uma grande concentração de vasos sanguíneos frágeis, e corresponde à maioria dos casos — cerca de 90%, segundo Wey. Em geral, é mais simples de controlar.
 
Quando necessário, o médico pode realizar a cauterização química do vaso que está sangrando. Também podem ser indicadas pomadas ou géis para manter a mucosa hidratada e tratamentos específicos para condições que favorecem a epistaxe, como rinite, sinusite e ressecamento nasal.
 
Já a epistaxe posterior ocorre em uma região mais profunda do nariz e tende a ser mais grave. O sangramento pode ser intenso e provocar uma perda significativa de sangue, exigindo atendimento de emergência. “Esse tipo de sangramento costuma ser muito intenso, levando à grande perda sanguínea, e normalmente precisa de cirurgia para identificar o ponto do sangramento e fazer uma ligadura da artéria que está sangrando ou uma cauterização elétrica do vaso. Ou ambos”, explica o médico do Einstein.
 
Sangramento recorrente merece investigação
 
Mesmo quando não há uma emergência, episódios repetidos de sangramento nasal não devem ser simplesmente ignorados. Segundo o médico, eles podem estar associados a problemas relativamente comuns, como rinite alérgica e sinusite crônica não tratadas, mas também a desvio de septo, hipertensão arterial não controlada e distúrbios de coagulação.
 
Em situações menos frequentes, a epistaxe recorrente pode estar relacionada a tumores nasais ou dos seios da face. Por isso, a repetição dos episódios é um dos principais sinais de que é necessário investigar a causa.
 
Por Thais Szegö, da Agência Einstein