* * * * * *

Dieta rica em potássio também é importante no controle da pressão alta

08 de outubro de 2026 às 17:54

saúde/agência einstein
Reduzir o sal é uma das recomendações mais conhecidas para prevenir e controlar a pressão alta, pois o excesso de sódio favorece o aumento da pressão arterial e, consequentemente, eleva o risco cardiovascular. Mas cada vez mais evidências mostram que a ingestão insuficiente de potássio também pode ter papel no desenvolvimento da hipertensão.


© Reprodução/Agência Einstein

Pesquisa evidencia que, além de
reduzir o sódio, aumentar o consumo do
outro mineral por meio de uma alimentação
rica em vegetais ajuda a manter a
hipertensão sob controle
 
Um artigo recém-publicado no The American Journal of Clinical Nutrition reuniu e analisou as evidências disponíveis sobre o tema e reforça a importância de considerar os dois minerais em conjunto nas recomendações alimentares. Segundo os autores, aumentar a ingestão de potássio pode contribuir para o controle da pressão arterial, especialmente quando associado à redução do consumo de sódio.
 
O efeito do potássio sobre a pressão arterial ocorre por diferentes mecanismos. Um deles envolve os rins, que ajudam a controlar a quantidade de sódio e de líquidos no organismo. Quando há mais potássio disponível na dieta, os rins tendem a eliminar mais sódio pela urina. Com menos sódio retido, o organismo também retém menos água, contribuindo para reduzir a pressão sobre os vasos sanguíneos.
 
Além disso, o potássio atua diretamente nos vasos, favorecendo seu relaxamento e ajudando a regular o chamado tônus vascular, ou seja, o grau de contração das artérias. Esses mecanismos ajudam a explicar o efeito do mineral sobre a pressão arterial, que não é uma novidade para a ciência. “A recomendação de reduzir a ingestão de sódio é uma estratégia clássica e bem estabelecida no manejo não farmacológico da hipertensão arterial. Da mesma forma, o aumento da ingestão de potássio já integra, direta ou indiretamente, as orientações nutricionais há muitos anos”, explica o cardiologista Weimar Kunz Sebba Barroso, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.
 
Uma forma de aumentar a ingestão de potássio é priorizar frutas, verduras, legumes e outros alimentos in natura, que são naturalmente ricos no mineral. A suplementação não é recomendada de rotina apenas com o objetivo de reduzir a pressão e deve ficar restrita a situações específicas, após avaliação individual.
 
Uma alternativa é o consumo do chamado sal light, em que parte do cloreto de sódio do sal convencional é substituída por sais de potássio. “Estudos clínicos têm demonstrado que a substituição parcial do cloreto de sódio por sais de potássio pode contribuir para a redução da pressão arterial. A própria Unidade de Hipertensão Arterial da Universidade Federal de Goiás possui uma linha de pesquisa avaliando essa intervenção”, comenta Barroso.
 
Isso não significa, porém, que o sal light possa ser usado à vontade. “É fundamental que seja utilizado em quantidade semelhante ou inferior à do sal convencional, pois seu menor poder de salgar pode levar ao aumento compensatório do consumo e reduzir o benefício esperado”, alerta o cardiologista. Tampouco adianta aumentar o consumo de alimentos ricos em potássio e manter um consumo elevado de sódio. Por isso, as duas estratégias devem ser consideradas de forma complementar no controle da hipertensão.
 
Recomendação individualizada
 
Apesar dos benefícios do potássio, a recomendação para aumento do consumo do mineral não é a mesma para todos e deve ser individualizada. Para a maioria das pessoas com hipertensão e função renal preservada, aumentar a ingestão de potássio por meio da alimentação é seguro e pode trazer benefícios para o controle da pressão.
 
O principal cuidado é com pacientes com doença renal crônica, especialmente nos estágios mais avançados. Como os rins são responsáveis por eliminar o excesso de potássio, a perda da função renal pode provocar seu acúmulo no sangue, a chamada hipercalemia. “Nesses pacientes, a orientação deve considerar a função dos rins, os níveis do mineral no sangue e os medicamentos utilizados. Tanto o excesso quanto a falta de potássio podem trazer riscos, inclusive alterações do ritmo cardíaco”, alerta Weimar Barroso.
 
Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein